martes, 30 de junio de 2009

Eu Também Vou Reclamar - Raul Seixas



Mas é que se agora
Pra fazer sucesso
Pra vender disco
De protesto
Todo mundo tem
Que reclamar

Eu vou tirar
Meu pé da estrada
E vou entrar também
Nessa jogada
E vamos ver agora
Quem é que vai güentar

Porque eu fui o primeiro
E já passou tanto janeiro
Mas se todos gostam
Eu vou voltar

Tô trancado aqui no quarto
De pijama porque tem
Visita estranha na sala
Aí eu pego e passo
A vista no jornal

Um piloto rouba um "mig"
Gelo em Marte, diz a Viking
Mas no entanto
Não há galinha em meu quintal
Compro móveis estofados
Me aposento com saúde
Pela assistência social

Dois problemas se misturam
A verdade do Universo
A prestação que vai vencer
Entro com a garrafa
De bebida enrustida
Porque minha mulher
Não pode ver

Ligo o rádio
E ouço um chato
Que me grita nos ouvidos
Pare o mundo
Que eu quero descer

Olhos os livros
Na minha estante
Que nada dizem
De importante
Servem só prá quem
Não sabe ler

E a empregada
Me bate à porta
Me explicando
Que tá toda torta
E já que não sabe
O que vai dá prá mim comer

Falam em nuvens passageiras
Mandam ver qualquer besteira
E eu não tenho nada
Prá escolher

Apesar dessa voz chata
E renitente
Eu não tô aqui
Prá me queixar
E nem sou apenas o cantor

Que eu já passei
Por Elvis Presley
Imitei Mr. Bob Dylan, you know...
Eu já cansei de ver
O Sol se pôr

Agora eu sou apenas
Um latino-americano
Que não tem cheiro
Nem sabor

E as perguntas continuam
Sempre as mesmas
Quem eu sou?
Da onde venho?
E aonde vou, dá?

E todo mundo explica tudo
Como a luz acende
Como um avião pode voar
Ao meu lado um dicionário
Cheio de palavras
Que eu sei que nunca vou usar

Mas agora eu também resolvi
Dar uma queixadinha
Porque eu sou um rapaz
Latino-americano
Que também sabe
Se lamentar

E sendo nuvem passageira
Não me leva nem à beira
Disso tudo
Que eu quero chegar
-E fim de papo!

YO TAMBIÉN VOY A RECLAMAR 
Pues si ahora
Para tener éxito,
Para vender discos de protesta
Todo el mundo tiene que reclamar
Voy a ponerme en camino
Y entraré también en esa jugada
Y vamos a ver, entonces,
Quién aguanta más.

Porque yo fui el primero
Y ya ha pasado tanto enero...
Pero si eso es lo que quieren
Yo voy a volver.

Estoy encerrado
Aquí en el cuarto
De pijama, porque tengo
Visita extraña en la sala,
Ahí preso
Ojeo el diario

Un piloto roba un "mig"
Hielo en Marte, dice el Viking,
Pero, sin embargo,
No hay una gallina en el fondo de mi casa...
Compro muebles tapizados,
Me jubilo con salud
Por la asistencia social

Dos problemas se mezclan:
La verdad del universo
El pagaré que va a vencer
Entro con la botella
De bebida escondida
Porque mi esposa
No tiene que verla

Enciendo la radio
Y oigo un bobo
Que me grita en los oídos:
¡Paren el mundo
Que quiero bajar!

Miro los libros
En mis estantes
Que nada dicen
De importante
Sólo sirven para quien no sabe leer.

Y la criada
Me golpea la puerta
Y me explica
Que el pastel está listo
Y que ya no sabe qué darme de comer.

Hablan de nubes pasajeras
Te ordenan ver cualquier mierda
Y yo no tengo nada
Para elegir

A pesar de esta voz tonta y obstinada
No estoy aquí para quejarme
Tampoco soy apenas un cantor
Que ya pasó por Elvis Presley,
Imité al Sr. Bob Dylan, tú sabes...
Ya me cansé de ver ponerse el sol
Ahora soy apenas un latinoamericano
Que no tiene olor ni sabor.

Y las preguntas siguen siendo siempre las mismas
Quién soy yo?
De dónde vengo?
A dónde voy a dar?
Y todo el mundo explica todo
Còmo la luz asciende
Còmo un avión puede volar
A mi lado un diccionario
Lleno de palabras que
Yo sé que nunca voy a usar

Pero ahora he decidido
Quejarme un poquito
Porque soy un niño latinoamericano
Que también sabe lamentarse
Y siendo nube pasajera
No me atrae ninguna orilla
De todo eso
Porque yo quiero llegar.

Y fin del asunto!